terça-feira, 5 de junho de 2007

Educação e prevenção do abuso de drogas ilícitas

Por Ana Angélica Pequeno

A OMC já definira o abuso de drogas, 10 anos atrás, como uma doença social epidêmica, isto é, uma epidemia social. Assim como as demais epidemias ela apresenta os 3 fatores fundamentais: o Agente (droga), o Hospedeiro (o jovem) e o Ambiente Favorável (família, meio social, etc). A essência do uso de drogas está na maturidade e força do jovem, nas mensagens e no sistema de suporte do meio onde vive, e na disponibilidade e na atratividade das drogas para ele.
Não se pode acabar de vez com as drogas ilícitas porque elas possuem sua parcela de efeitos terapêuticos; o que se pode fazer como prevenção é diminuir sua disponibilidade através de um controle rigoroso em legislação adequada e minimizar a sua atratividade através da educação. O que não se deve fazer, embora seja de costume, é procurar culpados, atribuir responsabilidades pelo vício a um ou outro agentes da sociedade.
Alguns estudiosos são contra a discussão de temas relativos a drogas ao nível do povo porque acreditam que isso pode despertar a curiosidade das pessoas e então difundir seu uso. Outros já pensam o contrário: se o jovem não for educado por educadores profissionais, irão aprender nas ruas com amigos e afins geralmente usuários, e de uma maneira bastante distorcida.Atualmente é inevitável que se discuta sobre o assunto, dada a gama enorme de meios que veiculam o tema, sobretudo a mídia através da TV, além de livros tidos como best-sellers, embora por vezes abordem o assunto de maneira inconsequente e imprópria.As razões que levam os jovens ao uso de drogas costumam ser de cunho social, com fuga aos problemas do cotidiano e desestruturação familiar, ou simplesmente a busca do prazer.
Para se alcançar o vicio o individuo precisa seguir um caminho aparentemente longo, mas que é bem mais curto que o da volta. É usado um método de vendas eficaz, chamado AINDA, que envolve a Atenção, Interesse, Desejo e Aquisição. A Atenção é despertada gratuitamente por toda a mídia. O Interesse provém, além da mídia, das informações erradas ou mesmo da falta delas. A Aquisição é incentivada pela distribuição gratuita no início, para se obter um consumidor cativo a mais.
Uma prova de completa submissão às drogas fica comprovada quando o usuário vê os ajustados de personalidade como “caretas”, considerando-se muito sábio e esperto. Ele passa a ser o resultado do processo de lavagem cerebral contraído no seu meio social. Como cristãos, nossa tristeza é potencializada ao constatar que o dinheiro adquirido de maneira tão aviltante pode comprar a honra de homens que deveriam produzir para o bem comum, além de outros, que deveriam proteger a sociedade não o fazem e propiciam ao malfeitor livre trânsito junto às pessoas e locais de sua convivência, quase sempre com o intuito de dar continuidade às suas ações criminosas. A questão de provar seus atos delituosos ou de desmascara-los, muitas vezes é negligenciada e seus atos acobertados.
Não existe nenhum argumento plausível que justifique alguém se agredir com seu uso. Dizer que é natural, que só uma vez não vicia, que dá prazer e que não usar é coisa de careta entre outros argumentos, são apenas jogos de manipulação de mentes desinformadas. Tanto o é que o traficante-chefe não usa drogas, por conhecerem muito bem a mercadoria que vendem. Não querem sua própria desgraça e sim a do outro. O dependente de drogas, em todas as circunstâncias é vitima, e deve ser compreendido. Tratar o dependente como um delinqüente comum é que poderia ser considerado crime. Outra consideração importante é um alerta que se faz a quem pensa em traficar; o objetivo dessas pessoas é manter seu vício ou mesmo fazer fortuna. Ao invés de se depararem com a ação espontânea da polícia, o que pode ocorrer é essas pessoas serem denunciadas pelos próprios colegas traficantes, que os utilizam como iscas para a polícia enquanto planejam e executam movimentações maiores.

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