terça-feira, 12 de junho de 2007

Tribos urbanas

Créditos: Internet
Por Ana Angélica Pequeno

Tribo urbana, expressão ainda ignorada por vários sociólogos, é um grupo de amigos que segue determinado estilo de vida. Cada tribo possui seu jeito próprio de se vestir, suas próprias músicas, esportes que praticam e até gostos sexuais próprios. Membros de tribos urbanas geralmente vivem em grandes metrópoles e são jovens entre quatorze e vinte anos.
Atos de Souza Lima, 19 anos, faz parte da tribo dos metaleiros, mas conta não ter nascido com o sangue metal correndo em suas veias. Quando tinha uns 16 anos de idade era considerado o mais nerd de todos os alunos, mas também se achava o patinho feio de todo o colégio. Certo dia Atos se cansou de ser o nerd ignorado e ridicularizado pelos colegas, e tomou uma atitude drástica que visou ofender diretamente seus inimigos de sala de aula, resolveu deixar o cabelo crescer. A princípio, as pessoas apenas pensaram que ele estava algum tempo sem tomar banho, ou sem dinheiro pro barbeiro. Mas logo começaram a notar sua mudança no estilo de roupas: o nerd passou a usar camisetas pretas com desenhos silkados coloridos e nomes de bandas desconhecidas. Juntando com o cabelo comprido, ele foi lentamente se transformando num ser que teoricamente causa mais medo que um menino feio de óculos. Some-se a isso uma dose pesada de musculação (feita por ele para agora poder dar porrada nos mano), ele tornou-se uma criatura quase que aversiva, porém se sentia normal e muito feliz no grupo que o acompanhava. Na verdade, ele conta que continuou sendo zoado do mesmo jeito pelos colegas de classe, mas sentia que eles falavam pelas costas, pois tinham medo do que lhes pudessem acontecer. E de qualquer forma, agora Atos estava com cabelo grande para se esconder de qualquer zoação.
Todo metaleiro adoraria pegar alguma das meninas gostosinhas da classe. Mas ele normalmente é um ser feio e repulsivo que mal consegue falar com as meninas. E as mocinhas gostosinhas estão mais interessadas nos rapazes surfistas e skatistas. Dionízio Silveira Diniz, 23 anos, é skatista de carteirinha e confessa que apesar de não se achar nenhum galã de novela, faz muito sucesso com as garotas. Os skatistas, com seu jeito próprio de vestir, têm inspirado tanto as passarelas do universo fashion quanto a roupa do dia-a-dia. Diz Dionísio “o estilo pré-definido pela sociedade é calça larga, camiseta gigante e tênis ralado. Para a tribo, ser skatista é pensar nele 24 horas, é passar dias tentando uma manobra”, afirma. “Ser skatista é olhar para qualquer lugar e já pensar se dá para andar de skate, é cair e ralar, mas, quando acerta uma manobra, a satisfação vale a pena”.O homem tem uma necessidade de expressão que não se consegue deter. É preciso olhar para as diversas culturas e procurar entendê-las. Não adianta ser a favor ou contra. Sempre acompanharemos diversas tribos juvenis, onde milhares de jovens investem na estética das marcas corporais (tatuagens e piercings), participam de movimentos musicais e desejam se manifestar pela preferência momentânea ou permanente de uma moda ou um artista pop.

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terça-feira, 5 de junho de 2007

Educação e prevenção do abuso de drogas ilícitas

Por Ana Angélica Pequeno

A OMC já definira o abuso de drogas, 10 anos atrás, como uma doença social epidêmica, isto é, uma epidemia social. Assim como as demais epidemias ela apresenta os 3 fatores fundamentais: o Agente (droga), o Hospedeiro (o jovem) e o Ambiente Favorável (família, meio social, etc). A essência do uso de drogas está na maturidade e força do jovem, nas mensagens e no sistema de suporte do meio onde vive, e na disponibilidade e na atratividade das drogas para ele.
Não se pode acabar de vez com as drogas ilícitas porque elas possuem sua parcela de efeitos terapêuticos; o que se pode fazer como prevenção é diminuir sua disponibilidade através de um controle rigoroso em legislação adequada e minimizar a sua atratividade através da educação. O que não se deve fazer, embora seja de costume, é procurar culpados, atribuir responsabilidades pelo vício a um ou outro agentes da sociedade.
Alguns estudiosos são contra a discussão de temas relativos a drogas ao nível do povo porque acreditam que isso pode despertar a curiosidade das pessoas e então difundir seu uso. Outros já pensam o contrário: se o jovem não for educado por educadores profissionais, irão aprender nas ruas com amigos e afins geralmente usuários, e de uma maneira bastante distorcida.Atualmente é inevitável que se discuta sobre o assunto, dada a gama enorme de meios que veiculam o tema, sobretudo a mídia através da TV, além de livros tidos como best-sellers, embora por vezes abordem o assunto de maneira inconsequente e imprópria.As razões que levam os jovens ao uso de drogas costumam ser de cunho social, com fuga aos problemas do cotidiano e desestruturação familiar, ou simplesmente a busca do prazer.
Para se alcançar o vicio o individuo precisa seguir um caminho aparentemente longo, mas que é bem mais curto que o da volta. É usado um método de vendas eficaz, chamado AINDA, que envolve a Atenção, Interesse, Desejo e Aquisição. A Atenção é despertada gratuitamente por toda a mídia. O Interesse provém, além da mídia, das informações erradas ou mesmo da falta delas. A Aquisição é incentivada pela distribuição gratuita no início, para se obter um consumidor cativo a mais.
Uma prova de completa submissão às drogas fica comprovada quando o usuário vê os ajustados de personalidade como “caretas”, considerando-se muito sábio e esperto. Ele passa a ser o resultado do processo de lavagem cerebral contraído no seu meio social. Como cristãos, nossa tristeza é potencializada ao constatar que o dinheiro adquirido de maneira tão aviltante pode comprar a honra de homens que deveriam produzir para o bem comum, além de outros, que deveriam proteger a sociedade não o fazem e propiciam ao malfeitor livre trânsito junto às pessoas e locais de sua convivência, quase sempre com o intuito de dar continuidade às suas ações criminosas. A questão de provar seus atos delituosos ou de desmascara-los, muitas vezes é negligenciada e seus atos acobertados.
Não existe nenhum argumento plausível que justifique alguém se agredir com seu uso. Dizer que é natural, que só uma vez não vicia, que dá prazer e que não usar é coisa de careta entre outros argumentos, são apenas jogos de manipulação de mentes desinformadas. Tanto o é que o traficante-chefe não usa drogas, por conhecerem muito bem a mercadoria que vendem. Não querem sua própria desgraça e sim a do outro. O dependente de drogas, em todas as circunstâncias é vitima, e deve ser compreendido. Tratar o dependente como um delinqüente comum é que poderia ser considerado crime. Outra consideração importante é um alerta que se faz a quem pensa em traficar; o objetivo dessas pessoas é manter seu vício ou mesmo fazer fortuna. Ao invés de se depararem com a ação espontânea da polícia, o que pode ocorrer é essas pessoas serem denunciadas pelos próprios colegas traficantes, que os utilizam como iscas para a polícia enquanto planejam e executam movimentações maiores.