segunda-feira, 28 de maio de 2007

Cota para negros nas universidades

Por Ana Angélica Pequeno

Temos conhecimento de que a exposição racista no Brasil é problema decorrente, sobretudo, do tráfico negreiro, vindo dos séculos passados para trabalhos escravos, principalmente, no plantio da cana-de-açúcar, muito embora alguns tenham sido destinados a outras áreas, ou então tenham tornado empregados particulares de seus senhores. O tempo, no entanto, não pôde evitar que se arrastassem os costumes de tal época. Ainda hoje lidamos com a questão do racismo em larga escala, a ponto de discutirmos a viabilidade ou não das cotas para negros nas universidades públicas.
Se a cota fosse destinada aqueles de classe socioeconômica inferior tudo bem. O problema é que o próprio negro, ao tentar a inserção no mundo universitário através de um direito exclusivo já se auto-exclui da sociedade. É como se fosse um portador de necessidades especiais.
As vagas devem ser dos mais competentes. E se um branco mais capacitado perde a vaga para um menos capacitado só pelo fato de ele ser negro? Acredito que as vagas devem ser disputadas sem diferenciação de raças. O problema não está no nível social, na cor ou raça de quem entra na faculdade, mas sim no conhecimento que esta pessoa possui para ingressar no ensino superior. Independente de cor ou sexo, qualquer pessoa é capaz de chegar onde quiser, desde que batalhe insistentemente por isso, enfrentando todos os obstáculos necessários para a realização e concretização de tal objetivo. O que os negros devem requerer são as condições igualitárias para concorrer às vagas.
A criação de cotas para negros exibe a drástica situação a que chegou o sistema educacional brasileiro, que exibe uma estrutura arcaica e vive há muito tempo uma crise sem precedentes. Diferente de alguns anos atrás, a escola pública configura hoje um local de passatempo e de diversão para a maioria dos estudantes, que em grande parte, principalmente os mais pobres, dirige-se a essas instituições apenas para garantir a alimentação do dia. Assim, as autoridades incompetentes acham que para resolver esse “pequeno problema”, basta apenas regulamentar quem deve ou não ingressar numa universidade. Por outro lado é justo disponibilizar essas cotas, pois com certeza há muito que fazer para diminuir tais desigualdades tão presentes na nossa sociedade. O sistema de cotas é um dos que podem ajudar a diminuir tais desigualdades, uma vez que, já formado, o salário de determinada pessoa tende melhorar, pois consegue obter um emprego melhor. Logo, este que conseguiu entrar através do sistema de cotas, poderá então matricular seu filho em uma faculdade particular (com certeza não irá colocá-lo em uma escola pública por causa da qualidade) e conquistará as mesmas condições que a classe média/alta brasileira tem hoje em grande peso nas faculdades públicas.


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