terça-feira, 24 de abril de 2007

O comércio informal

Por Ana Angélica Pequeno

O trabalho informal, vivenciado diariamente por milhares de vendedores ambulantes, é a alternativa que muitos trabalhadores encontram para garantir a sobrevivência própria e de suas famílias diante do quadro de desemprego crescente na realidade brasileira. Um dos maiores redutos desse comércio em Belo Horizonte é o shopping Oiapoque. O local vem sendo palco de violentos confrontos entre o poder público e os camelôs. Na gestão tucana, a repressão ao comercial ambulante vem sendo ampliada, sem conseguir reduzir esse tipo de atividade. Você afasta essas pessoas dali num dia, no outro estarão lá de novo. Sem carteira de trabalho assinada, os camelôs tentam driblar, de forma criativa, as demissões em massa ocorridas nas indústrias. Dezenas de barracas, vendendo os mais diversos tipos de produtos, foram instaladas nas praças, ruas e viadutos das cidades. A rápida multiplicação desses trabalhadores gerou novos impasses entre diferentes setores da sociedade. Os comerciantes passaram a exigir do poder municipal alguma ação que coibisse a existência dos camelôs, sob a argumentação de que prejudicam as vendas ao oferecerem produtos similares aos das lojas a preços muito menores. Esse problema não pode ser resolvido pela via policial, é preciso que sejam oferecidas alternativas. Empregos estão cada vez mais raros, principalmente para a população acima de 40 anos de idade, que se encontram sem meios para conseguir um trabalho que sustente a família. Cabe ao governo municipal abrir as discussões, a partir do mapeamento das ruas do centro e dos locais mais usados pelo comércio ambulante, de tal forma que se tenha noção da capacidade das vias públicas abrigarem os vendedores sem prejudicar a circulação. O cadastramento de todos os interessados em exercer atividade ambulante também deve ser providenciado pela prefeitura, esta medida tornará os ambulantes menos expostos à pressão dos fiscais.

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